domingo, 17 de outubro de 2010

Areias da madrugada

As ondas banhavam o meu corpo, siris dançavam ao meu redor. Meu cheiro era como o de um peixe que acabara de ser capturado por redes de pescador.
A aurora já ia surgindo e eu sabia que depois de algum tempo ele estaria lá, brilhando de novo; Apesar de o mundo estar a desmoronar.
Eu nunca vira o nascer do Sol, nunca dava tempo o suficiente. Esperei, anciosa por um milagre.

Os fios de meu cabelo pingavam água salgada, e só quando uma gota atingiu o meu olho me dei conta de que eu realmente precisava guardar o segredo.
Por isso mergulhei de volta para casa. Minha cauda emergiu segundos depois, deixando uma criança, que acabara de chegar, de olhos arregalados e completamente boquiaberta ao pé dos pais ocupados demais para se darem conta.

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